Juste La Fin Du Monde

O frenético e claustrofóbico melodrama de Xavier Dolan, que divide a crítica e satisfaz os seus admiradores. Este é o filme mais maduro do canadiano de 27 anos que todos precisámos de ver. Não é de todo uma obra menor, pelo contrário, é diferente daquilo a que Dolan nos tem habituado.





Juste la Fin du Monde é baseado numa peça de teatro homonima do francês Jean-Luc Lagarce. Esta é a história de Louis (Gaspard Ulliel) que regressa a casa depois de 12 anos para contar a notícia da sua morte. Pouca se sabe de Louis. É homossexual, um homem do teatro, possivelmente um dramaturgo, é nostálgico e um homem triste. O tema do regresso não é novidade para Dolan, em 2013 contou-nos a história de Tom que regressa a uma local interdito, a casa do namorado que faleceu.

O enredo está desenhado para que se reconheça a sugestão do passado que permanece sempre em dúvida. Esta subtil forma de contar a história está bem conseguida, pois é fácil perceber um mistério que envolve a morte do pai, que ninguém fala. É subentendido o facto da fuga de Louis para a cidade se ter dado com o desejedo de uma afirmação da sua sexualidade ( “ainda vives naquele bairro gay” diz a mãe para Louis), mas no que toca a sua orientação sexual ela está bem resolvida com a família.



Um elenco de luxo

É na longa e bem dirigida  primeira cena que ficamos a conhecer muito dos personagens que nos acompanham ao longo da trama. A mãe, interpretada por Nathalie Baye é uma mulher madura e amargurada. Baye, que já trabalhou com Dolan em 2012 (Lawrence Anyways), interpreta de forma genial o papel de uma mãe que procura a harmonia, ou melhor dizendo, a ilusão de harmonia entre os filhos. 

Suzanne (Léa Seydoux) é a irmã mais nova de Louis. O que sabe do irmão é baseado em histórias contadas pelo irmão e pela mãe, uma vez que Louis saiu de casa quando esta era demasiado nova. É revoltada e tudo nela parece girar à volta da revolta que foi crescer sem ter o irmão por perto. Uma interpretação convicente, monstrando impulsividade e mágoa, bastante reais. 



Antoine (Vincent Cassel), o irmão mais velho é o anticiclone da história. Tudo nele é impulso, crueldade, mágoa, repressão e explosão. Um personagem misógino. Cassel não desilude e matém a forma muito peculiar de interpretar este tipo de papéis. 

Casada com Antoine temos Catherine (Marion Cotillard). É doce e meiga, mas como todos neste ceio familiar é conformada e triste – muito triste. É a personagem que melhor entende Louis e é através de palavras não ditas – aquilo que me fez apaixonar por esta personagem e pela relação que tem com Louis. 




A melhor forma de fechar este elenco de luxo é com Gaspard Ulliel, que numa excelente interpretação retrata um Louis nostálgico, que quer entrar em bicos de pés no passado, para tocar no mínimo possível, sem fazer qualquer tipo de  estragos.




Juste La Fin Du Monde é o que o próprio nome indica, o fim do mundo para uma familia – aqui um bocado exagerado. Mas é eletrizante. É frenética. É sensível. É emocionante. É Xavier Dolan.




Rui

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